Protocolo SST · 2026NR-1 Diagnóstico

Questionário psicossocial COPSOQ II: o que é e como aplicar na NR-1

O questionário psicossocial é o instrumento que permite ouvir diretamente os trabalhadores sobre as condições de trabalho que podem gerar adoecimento. Na prática brasileira, o padrão mais usado é o COPSOQ II (Copenhagen Psychosocial Questionnaire), referência internacional para identificar e avaliar riscos psicossociais.

O que é o COPSOQ II

O COPSOQ foi desenvolvido pelo National Research Centre for the Working Environment (Dinamarca) e evoluiu para a versão II, organizada em dimensões que cobrem demandas, organização e conteúdo do trabalho, relações interpessoais e liderança, interface trabalho-indivíduo e comportamentos ofensivos. Hoje é mantido pela rede internacional COPSOQ e utilizado em dezenas de países, com versões curta, média e longa.

Validação no Brasil

Existem versões do COPSOQ traduzidas e adaptadas para o português brasileiro, com estudos de evidências psicométricas publicados na literatura científica nacional. Essa adaptação é o que permite usar o instrumento como evidência objetiva em auditorias: as escalas são conhecidas, as pontuações são comparáveis e o método pode ser descrito e reproduzido — diferente de formulários improvisados internamente.

Como o questionário é respondido

  • Escala Likert de 1 a 5 — de "nunca/quase nunca" a "sempre".
  • Anonimato — as respostas individuais não são identificadas; a análise é sempre agregada.
  • Grupos homogêneos — os resultados são lidos por setor ou função com exposição semelhante.
  • Tempo médio — cerca de 10 a 15 minutos por respondente na versão média.

Os 13 fatores de risco psicossocial avaliados

As dimensões do COPSOQ II podem ser organizadas nos fatores de risco psicossocial reconhecidos nas orientações do Ministério do Trabalho e Emprego:

FatorO que é avaliado
Excesso de demandas (sobrecarga)Volume, ritmo e prazos incompatíveis com o tempo e os recursos disponíveis.
Ritmo e pressão temporalTrabalho acelerado de forma contínua, sem pausas efetivas.
Demandas emocionaisContato frequente com sofrimento, conflito ou situações emocionalmente exigentes.
Baixa influência no trabalhoPouca autonomia sobre método, sequência e prioridades das tarefas.
Falta de clareza de papelObjetivos, responsabilidades e limites de atuação mal definidos.
Conflito de papéisExigências contraditórias entre chefias, áreas ou procedimentos.
Baixo apoio social de colegasIsolamento e ausência de cooperação no grupo de trabalho.
Baixo apoio da chefiaLiderança indisponível para orientar, priorizar e remover obstáculos.
Qualidade da liderançaFalhas em planejamento, comunicação e resolução de conflitos.
Insegurança no trabalhoReceio de demissão, transferência ou mudanças imprevisíveis.
Conflito trabalho-famíliaInvasão do trabalho sobre o tempo pessoal e de descanso.
Justiça e reconhecimentoPercepção de tratamento desigual ou de esforço não reconhecido.
Comportamentos ofensivosAssédio moral e sexual, ameaças, violência e incivilidade.

Do questionário ao PGR

Aplicar o questionário é apenas a primeira etapa. Para atender à nova NR-1, a empresa precisa transformar a percepção coletada em inventário de riscos e plano de ação: classificar cada fator por severidade e probabilidade, cruzar com indicadores internos (absenteísmo, afastamentos, rotatividade, denúncias) e registrar medidas, responsáveis e prazos.

É exatamente esse caminho que a plataforma automatiza: coleta anônima com COPSOQ II, cruzamento com indicadores organizacionais na matriz MIDP e relatório pronto para anexar ao PGR.