Questionário psicossocial COPSOQ II: o que é e como aplicar na NR-1
O questionário psicossocial é o instrumento que permite ouvir diretamente os trabalhadores sobre as condições de trabalho que podem gerar adoecimento. Na prática brasileira, o padrão mais usado é o COPSOQ II (Copenhagen Psychosocial Questionnaire), referência internacional para identificar e avaliar riscos psicossociais.
O que é o COPSOQ II
O COPSOQ foi desenvolvido pelo National Research Centre for the Working Environment (Dinamarca) e evoluiu para a versão II, organizada em dimensões que cobrem demandas, organização e conteúdo do trabalho, relações interpessoais e liderança, interface trabalho-indivíduo e comportamentos ofensivos. Hoje é mantido pela rede internacional COPSOQ e utilizado em dezenas de países, com versões curta, média e longa.
Validação no Brasil
Existem versões do COPSOQ traduzidas e adaptadas para o português brasileiro, com estudos de evidências psicométricas publicados na literatura científica nacional. Essa adaptação é o que permite usar o instrumento como evidência objetiva em auditorias: as escalas são conhecidas, as pontuações são comparáveis e o método pode ser descrito e reproduzido — diferente de formulários improvisados internamente.
Como o questionário é respondido
- Escala Likert de 1 a 5 — de "nunca/quase nunca" a "sempre".
- Anonimato — as respostas individuais não são identificadas; a análise é sempre agregada.
- Grupos homogêneos — os resultados são lidos por setor ou função com exposição semelhante.
- Tempo médio — cerca de 10 a 15 minutos por respondente na versão média.
Os 13 fatores de risco psicossocial avaliados
As dimensões do COPSOQ II podem ser organizadas nos fatores de risco psicossocial reconhecidos nas orientações do Ministério do Trabalho e Emprego:
| Fator | O que é avaliado |
|---|---|
| Excesso de demandas (sobrecarga) | Volume, ritmo e prazos incompatíveis com o tempo e os recursos disponíveis. |
| Ritmo e pressão temporal | Trabalho acelerado de forma contínua, sem pausas efetivas. |
| Demandas emocionais | Contato frequente com sofrimento, conflito ou situações emocionalmente exigentes. |
| Baixa influência no trabalho | Pouca autonomia sobre método, sequência e prioridades das tarefas. |
| Falta de clareza de papel | Objetivos, responsabilidades e limites de atuação mal definidos. |
| Conflito de papéis | Exigências contraditórias entre chefias, áreas ou procedimentos. |
| Baixo apoio social de colegas | Isolamento e ausência de cooperação no grupo de trabalho. |
| Baixo apoio da chefia | Liderança indisponível para orientar, priorizar e remover obstáculos. |
| Qualidade da liderança | Falhas em planejamento, comunicação e resolução de conflitos. |
| Insegurança no trabalho | Receio de demissão, transferência ou mudanças imprevisíveis. |
| Conflito trabalho-família | Invasão do trabalho sobre o tempo pessoal e de descanso. |
| Justiça e reconhecimento | Percepção de tratamento desigual ou de esforço não reconhecido. |
| Comportamentos ofensivos | Assédio moral e sexual, ameaças, violência e incivilidade. |
Do questionário ao PGR
Aplicar o questionário é apenas a primeira etapa. Para atender à nova NR-1, a empresa precisa transformar a percepção coletada em inventário de riscos e plano de ação: classificar cada fator por severidade e probabilidade, cruzar com indicadores internos (absenteísmo, afastamentos, rotatividade, denúncias) e registrar medidas, responsáveis e prazos.
É exatamente esse caminho que a plataforma automatiza: coleta anônima com COPSOQ II, cruzamento com indicadores organizacionais na matriz MIDP e relatório pronto para anexar ao PGR.